Nelci Mainardes
Desde 1994, um eterno apaixonado pela raça
Criador desde 1994 e eleito Melhor Expositor e Criador por várias vezes no Estado do Paraná, o atual Presidente da Associação de Jersey do Paraná, Nelci Mainardes, nos concedeu uma entrevista extremamente agradável para narrar um pouco de sua história dentro desta raça tão apaixonante. Confira!
1) O que o levou a optar pela Raça Jersey
e qual seu principal objetivo ao iniciar
seu criatório?
Nelci: Adquiri a propriedade em 1994, com uma área de apenas 08 hectares, destinada exclusivamente à lazer. Em função das despesas mensais e dos investimentos necessários, comecei a estudar alguma atividade econômica que pudesse custeá-las. Após várias consultas decidi que, pelo tamanho da propriedade, deveria desenvolver atividade leiteira. Em função do tamanho e topografia da propriedade e do clima da região, face à proximidade com a serra, me convenci que a raça ideal seria a Jersey. Em setembro/99 adquiri 07 novilhas Jersey, sem registro.
2) Desde que iniciou sua criação, o que
mais lhe chamou a atenção nesta raça ?
Nelci: Inicialmente a rusticidade e facilidade de reprodução. A precocidade da raça é considerável ao analisar um rebanho leiteiro. Depois conhecendo melhor os animais, a docilidade é algo encantador para qualquer criador. Hoje conhecendo criadores e pecuaristas de todos os portes por todo o Brasil, considero que a Jersey é uma extensão da família.
3) Você sempre participou de
Exposições no seu Estado obtendo
ótimos resultados no ranking. Qual o
segredo para este sucesso?
Nelci: Creio que o resultado das exposições é conseqüência de um trabalho realizado na propriedade. Sempre que converso com alguém que quer iniciar atividade aconselho que quando for comprar animais, não compre pelo preço, mas por avaliação da origem e genética. O segredo para o sucesso é você ter uma boa base de rebanho e investir em genética. |

4) Você é presidente da Associação de
Jersey do Paraná desde 2002, o que o
motivou a assumir este compromisso?
Ate/c/: Quando comecei a criação com a aquisição da 07 novilhas, procurei a Associação para registro desses animais. Logo a seguir teve eleições e me convidaram para fazer parte da Diretoria. Entrei como Diretor de Eventos. Entretanto, quase todos os diretores daquela época acabaram deixando a atividade em função da crise que afetou a pecuária leiteira nos anos de 2000 e 2001 e me pediram para assumir a Presidência da Associação em função do trabalho que vinha realizando pela raça e dos eventos que vinha organizando. Sempre gostei do contato com criadores e troca de experiências em qualquer atividade. Acho que é um eterno aprendizado. Assim, topei o desafio.
5) De lá até aqui, quais as melhorias que
já foram obtidas no seu mandato?
Nelci: Entendo que a Associação cresceu muito e que os criadores e a raça também, tanto no Paraná como a integração entre criadores do estado e nacional. Considero que os criadores de Jersey fazem parte de uma grande família, onde a integração de todos é fundamental para troca de experiências ede amizade. Acho que em nosso mandato a Associação aproximou-se do criador e a raça tornou-se muito mais conhecida. Voltamos a fazer um ranking estadual de criadores e de expositores, o que tinha sido abandonado 05 anos antes. Hoje é comum nas grandes exposições do Estado a presença de animais Jersey, sendo que temos anualmente uma feira ranqueada em cada região. No sudoeste paranaense, onde se concentram a maioria dos criadores do Estado, temos efetuado julgamentos com 180 a 200 animais em pista, sendo que na primeira mostra realizada em 2002 foi difícil reunir 50 animais. Mas o que mais gratifica o trabalho que iniciamos é o resultado que vemos nos animais de alguns criadores que acompanhamos através da seleção que efetuaram e a melhoria da qualidade genética de seus planteis, o que vem sendo demonstrado pelos resultados obtidos nas feiras e exposições. |
6) E o que pretende aprimorar?
Nelci: Na realidade, quando um projeto se inicia, necessita de acompanhamento e de constante avaliação. Quando uma etapa é concluída outra deve ser iniciada. Desse modo, sempre estamos discutindo e avaliando todas nossas ações. A nova etapa que pretendemos implantar é realizar um evento interestadual que possibilite uma maior integração dos criadores do Paraná com criadores dos demais estados, além de um torneio leiteiro estadual que permita demonstrar o potencial produtivo dos animais Jersey, etapa que pretendemos realizar durante a Agroleite/2006 em Castro, no período de 08 a 12/08 vindouro.
7) Como criador, qual seu conselho
sobre a raça para quem pensa em iniciar
no Jersey?
Nelci: Digo que deve começar pequeno, com poucos animais para conhecê-los e aprender. Tudo o que vai ser feito necessita de estudo e de experiência. A experiência da pecuária só é adquirida com a prática, com o dia a dia. Outra questão é o pecuarista entender que a atividade leiteira exige 365 dias por ano e muito vezes até 24 horas por dia. Para a vaca leiteira não existe feriado, necessitando de ordenha pelo menos duas vezes ao dia. O parto não escolhe hora. Assim, é importante levarem conta que a atividade da pecuária leiteira exige muita dedicação, mas que também é muito prazerosa, principalmente os animais Jersey. Constantemente brinco com amigos que as fêmeas Jersey acabam se tornando nossos grandes amores e nossas grandes amantes. |